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  • Presença e Amizade

Nos respondem com muita fé "estamos bem e hoje tivemos o que comer, graças a bondade de Deus."

Em minha primeira carta falei um pouquinho de um apostolado que fazemos no centro de Guayaquil (Equador) com as famílias Venezuelanas. Quando vim para missão no Equador, não pensei que conheceria e teria amigos da Venezuela e hoje tenho alguns. Para mim é uma alegria visitar esses amigos e passar com eles um pouco do dia. Não sei se sabem, mas a Venezuela passa por grandes dificuldades e por isso essas pessoas saem de seu país e vão como imigrantes para todos os lados.


Há algumas semanas conhecemos uma família na rua onde descemos do ônibus para chegar ao centro: uma mãe e dois filhos. A mãe se chama Crisna e as crianças, Cristiano de 11 anos e Keyla de 4 anos. Keyla fica com Crisna na rua pedindo dinheiro e Cristiano, de apenas 11 anos vende água e bala no sinal todos os dias. Ele não estuda, não brinca, não é mais criança, trabalha como adulto todos os dias e muitas vezes é tratado mal pelos adultos que também vendem água no sinal. Esse menino tem no seu rosto a infância não vivida. Minha felicidade é ver ele sentir o gosto da infância e a felicidade de ser criança quando brincamos um pouquinho. O esposo de Crisna e pai das crianças trabalha como caseiro e seu salário é para poder ele e toda família ter um lugar para dormir. A história e a vida dessa família me impactou profundamente. Quando descemos do ônibus e Cristiano vê que chegamos, vem correndo do sinal para ficar 20 minutos com a gente. Esse menino trabalha de manhã até a noite e para no final do dia se tiver vendido tudo, ter 5 dólares para ajudar sua família a ter algo para comer. Estive pensando muito no sofrimento dessas pessoas e como eu poderia ajudar, mas o ‘eu’ sem Deus não pode fazer NADA, o único que posso é levar o amor de Deus a essa família a esse menino que, olhando bem, é tão forte, tão corajoso e tão bondoso que teve a força e a coragem de ajudar seus pais em um momento tão difícil que estão passando. Entrego a Deus através da oração, essa família, meu amigo Cristiano, pedindo para que o sofrimento deles santifique-os. Peço a todos que estão lendo essa carta que rezem ao menos um Ave Maria por essa família.

As famílias Venezuelanas passam por muitas dificuldades, mas sempre quando encontramos e perguntamos se está tudo bem nos respondem com muita fé "estamos bem e hoje tivemos o que comer. Graças a bondade de Deus, estamos bem!", agradecem a Deus até mesmo nos piores dias. E outra coisa linda que vejo nesses amigos é o amor que tem uns pelos outros, dividindo o que recebem e estando sempre preocupados em proteger e ajudar uns aos outros. É lindo ver a felicidade deles em compartilhar com seus amigos as coisas que ganham ou que lutam muito para poder comprar.

Que nesse tempo natalino possamos pedir ao Menino Jesus que nasça em nossos corações e que nos ensine a admirar as lindas coisas que nos presenteia, agradecer a Deus pelas coisas simples, por ter boas roupas, por ter uma casa, por ter o que comer todos os dias e por ter um tesouro que é nossa família. Que ao exemplo de Maria possamos ser fiéis aos planos de Deus para nós. Estou tendo uma grande experiência com a virgem Maria, ver que em cada momento Ela se faz presença na missão. Sempre confiei muito na intercessão de Maria, mas agora fazer a experiência de estar como Ela ao pé da cruz, ao lado de um amigo Venezuelano que sofre, ao lado dos meus amigos do bairro que são tão sozinhos, sentir a dor de cada um e tentar ser um sinal de esperança, é simplesmente impossível sozinha, somente por obra e graça de Deus e a poderosa intercessão de Maria. Desejo a todos um feliz Natal e um próspero ano novo! Obrigada por sua ajuda, estou sempre em oração!

Giovanna, o 20 de Dezembro de 2020, voluntária no Equador

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