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  • Presença e Amizade

Um tempo de graça em minha vida.

Atualizado: 3 de jul. de 2023

Olá queridos amigos padrinhos/madrinhas,

Saludo a todos, a Paz de Cristo e o Amor da Virgem Maria! Com grande alegria e o coração imensamente grato a Deus venho escrevê-lhes depois de haver saído em missão! Tentarei expressar em palavras tudo que já vivi até aqui… e lhes digo que foram muitas coisas boas e em cada uma delas pude perceber o agir de Deus.



Aqui vivo com mais três pessoas e cada uma de nacionalidade diferente: na ordem da foto temos Analía que é argentina e é membro permanente na missão, Andrea que é peruana e assim como eu vai dedicar 14 meses de sua vida aqui (chegou antes de mim há 3 meses), e Agnès que é francesa e também é membro permanente. Cada uma com sua personalidade, mas com um único objetivo: servir a Jesus através daqueles que mais sofrem.


Para que saibam, Costa Rica é um país montanhoso, e aqui onde vivo, em Tirrases, há muita área verde, vegetação, muitas matas e também muito frio. O clima é totalmente diferente do que vivi no Brasil. Enquanto aí faz 22°/23°C mínima (às vezes), aqui chega a 15°C (quase todas as noites) isso porque estamos na época do verão…, e sabemos que essa temperatura para quem vive na Bahia é muita coisa… agora imaginem no inverno quanto será..? Além disso, antes de vir, pensava que encontraria um clima quente, de muito calor, de muito sol, por isso não me preocupei em trazer casaco. Mas, ao pisar aqui me dei conta que era totalmente o contrário. Sem saber do frio, não trouxe casaco para usar, e aqui é impossível ficar sem.


Jesus é seu cobertor

Algumas pessoas ao saberem disso começaram a doar alguns. Em um dia ganhei um casaco, em outro dia uma senhora me presenteou com dois, e uma outra família me doou um par de tênis e uma jaqueta branca. Quando disse a um amigo que aqui fazia muito frio e eu não saberia como “sobreviver” (brincando), ele me disse com estas palavras: “Jesus é seu cobertor”. E de fato Ele tem sido. Deus em sua infinita bondade e misericórdia para comigo tem me aquecido diariamente com Seu amor. Aqui tenho experimentado a tamanha generosidade d’Ele e de pessoas que nem me conhecem mas me acolhem tão bem como uma filha ou parte da família.


Dona Olga, o dom da amizade

Uma dessas pessoas é a mãe de Irene, dona Olga. Desde quando conheci a Irene, fizemos uma amizade muito linda, a tenho como uma irmãzinha e ela, ao apresentar-me sua mãe, a mesma me acolheu e me recebeu em sua casa como uma filha. Conheci os filhos de dona Olga, netos, genro, nora, os pets da família… E aqui tenho experimentado diariamente o que disse Jesus: “Eu afirmo a vocês que isto é verdade: aquele que, por causa de Mim e do Evangelho, deixar casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras receberá muito mais, ainda nesta vida.” (Mc 10, 29-31). E assim, não me deixando só em nenhum momento, Jesus me envia pessoas que se tornam amigos e amigos que se tornam família.


A acolhida

N os primeiros dias, fui sendo apresentada aos nossos amigos, e fiquei feliz com a acolhida de todos. São pessoas acolhedoras, que me deram as boas vindas e me receberam muito bem, seja em suas casas ou durante um encontro inesperado na rua. Desde que cheguei não me senti sozinha em nenhum momento, tenho sempre a Jesus que tem me abraçado por meio de cada pessoa que encontro e é isso que me fortalece diariamente nesta caminhada.



A Adoração que fazemos todos os dias na capela, a missa diária, reza do terço e as visitas à casa de nossos amigos é uma rotina que alimenta minha alma e espiritualidade, fazendo com que eu siga muito muito muito feliz.


Recebendo um coração como de criança

O primeiro contato que tive com as crianças foi muito lindo, elas me cumprimentaram com um abraço e um lindo sorriso no rosto. Aqui acolhemos a cada uma para rezar o santo terço e depois fazemos recreação com elas. Me encanta sempre encontrá-las porque me recorda da pureza que temos que ter em nossos corações para alcançar o Reino dos Céus, como diz Jesus no evangelho. Tenho pedido diariamente ao Senhor que me dê um coração como de criança e me conduza a ser um instrumento de Seu amor a cada pessoa que venha encontrar aqui.



Visitas ao lar de idosos: uma luz de esperança

Além das crianças, um dos nossos apostolados é visitar um Albergue, um lar que recebe idosos que têm ou não problemas com alcoolismo. Alguns vivem lá porque em algum momento de suas vidas perderam tudo: casa, emprego, família, e não tem mais para onde irem. Então seu Gerardo, que é o dono/administrador com um coração enorme, juntamente com sua esposa dona Núria, acolhem a cada um que chega. É um ambiente muitíssimo agradável com todos e eu fui muito bem recebida por cada senhor/senhora que vive lá. Me alegra visitá-los e compartilhar um pouco com cada um. Ao escutar suas histórias posso conhecê-los um pouco mais, e assim começamos uma amizade. Quando perguntam de onde sou e respondo que sou do Brasil, começam a fazer perguntas, a falar sobre futebol, sobre a morte de Pelé, sobre o clima, e tantas outras coisas.

Vamos ao Albergue as segundas e quartas- feira (link no facebook do albergue para que conheçam: https://www.facebook.com/albergueadultomayortirrases/?locale=es_LA). As segundas, fazemos visita a eles passando um tempo conversando, jogando, para que tenham uma presença amiga ao lado (um dia, seu Francisco, que foi viver no albergue após ter tido AVC e problemas com alcoolismo, me contou que se assim como ele, outros também se sentem muito felizes com o que fazemos, pois tem alguns ali que não tem família, amigos ou alguém que os visite, desta maneira nos agradece muito por levar uma presença e amizade gratuita); e as quartas-feiras fazemos a Lectio Divina, que é uma leitura orante da Palavra, onde meditamos o Evangelho do dia e cada um pode partilhar o que mais lhe tocou.

Cada senhor/senhora que lá vive tem uma história para contar e muitas vezes precisam de alguém que as escute. Um desses senhores que conhecemos é seu Fernando e sua esposa chamada carinhosamente de Dubi, que se conheceram neste albergue. A história de seu Fernando perpassa por altos e baixos; uma hora ele tinha tudo, e depois não tinha mais nada, tudo isso porque sua ex esposa o mandou ir embora sem um porquê e começou a cobrar uma pensão altíssima que ele não tinha condições de pagar. Sem mais casa para viver, sem filhos, sem esposa e sem dinheiro, seu destino foi o albergue, onde nos primeiros meses que passou esteve muito triste, entrou em depressão e pensou em tirar sua própria vida.

Ao nos contar toda sua história, ele diz que refletiu sobre o que estava prestes a fazer: “Tenho 78 anos, vou jogar tudo pro alto em apenas 1 segundo?” E assim, com o conselho de um amigo, e para honra e glória de Deus, ele não o fez. Aos poucos foi se reerguendo e, como é muito ativo, começou a ajudar outros irmãos e realizar trabalhos dentro do albergue. Dessa forma, foi encontrando novamente motivos para viver.


Em um desses trabalhos que realizava, ele conheceu sua atual esposa Dubi em uma exposição de arte que a mesma estava fazendo. Ela faz trabalhos voluntários e um deles é ensinar a pintar. Dubi foi ao albergue algumas vezes para ensinar, e assim Fernando e ela se conheceram, fizeram amizade, se apaixonaram, casaram-se oficialmente, e atualmente moram juntos em uma casa. Hoje, ela também vai à prisão ensinar e com muita alegria partilha da sede que aquelas pessoas têm de aprender, de serem vistas, de fazer algo novo, de diferente no seu dia a dia.

O que percebo em toda essa história é como a bondade de Deus se manifesta quando não desistimos por mais que estejamos passando por situações difíceis em nossas vidas. Para uns essa história de Fernando pode não significar nada, mas para ele e para os senhores neste albergue pode ser uma luz de esperança que se acende em seus corações.



Kairós (tempo de graça) em minha vida

Aqui tenho experimentado todos os dias o cuidado de Deus para comigo, e cada dia mais Ele demonstra o seu amor por mim através de pessoas que aqui encontro. Às vezes através de palavras, outras vezes de um simples abraço, ou ainda através do silêncio. Só sei que tenho o coração muito grato por estar vivendo esse Kairós (tempo de graça) em minha vida.


Andressa, 11 de fevereiro de 2023




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