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  • Presença e Amizade

Sem Ele nada se pode

Não sei vocês, mas cada vez sinto que entendo melhor o cristianismo. Ou talvez não seja questão de entender, senão de vivê-lo. Uma vez escutei a frase que diz: “Quando se vive em presença de Jesus, quaisquer que sejam as circunstâncias, somos felizes” E como isto é verdade!

O cristão, ainda que passe por provas, sofrimentos, momentos de tristeza e dores, carrega dentro de si uma felicidade que vem de Deus: a felicidade de já havermos sido salvos por Nosso Senhor Jesus Cristo, cuja festa Pascal é a maior de todas as celebrações da nossa igreja e a celebramos por 50 dias. É ou não motivo de grande felicidade?

Que linda é a nossa Igreja meus amigos! Cada dia agradeço ao Senhor por ser católica e, cada dia me dou conta de que é unicamente por sua misericórdia. Foi por esta misericórdia que cheguei até aqui. É ela que explica tudo, inclusive a sede que habita em cada um de nós. É saber que, esta sede do meu coração e da minha alma, não podem ser saciadas por riqueza nenhuma, por ninguém, nem nada nesta vida. Porque é a sede de Deus. De sua Presença e de sua Graça. É neste olhar que o Senhor nos convida a deixar tudo. É neste olhar que vou de encontro às minhas misérias, ao meu nada, a toda minha insignificância, e então descubro que a Sua misericórdia me alcança assim mesmo; a única condição é a de ser pecador.


A ceia judaica: o Seder



Viver a Semana Santa este ano, foi único: na quinta-feira santa realizamos a Ceia judaica, o Seder, compartilhando com alguns amigos dos quais, estava Gleice que havia perdido seu irmão vítima de um acidente havia duas semanas. Em meio à dor e ao luto, aceitou nosso convite para cear, e, ainda que carregava as marcas da perda, se permitiu sorrir. Terminada a ceia, fomos à Vigília e alguns dos nossos amigos que estavam na ceia junto com Gleice, também nos acompanharam. O mistério ao qual somos chamados nesta noite é de estar com Jesus no Horto das Oliveiras no momento de Sua agonia. Ele, que mesmo na companhia de seus amigos, se vê só. Não há mais que distância, combate e sofrimento.

Por meio deste mistério, podemos unir ao sofrimento de Cristo, o sofrimento de Gleice e de todas as pessoas que se encontram passando por semelhante dor. Acompanhar a Jesus, é também acompanhar aos nossos amigos em seus momentos de aflições e dificuldades.


O aniversario de Maria Eugênia na Sexta-feira Santa

Na Sexta-feira Santa, começamos nosso dia indo à procissão do Encontro (da Virgem Maria com Cristo), e neste mesmo dia, uma senhora que sempre visitamos, Maria Eugênia, estava fazendo aniversário: 94 anos de vida!! Para ela, celebrar este dia não lhe traz muita alegria, pois vive sozinha há alguns anos desde que faleceu seu irmão. Perdeu um pouco a mobilidade para andar (desde então se desloca numa cadeira de rodas por toda casa), e mal tem o que comer. Estive com ela pela manhã e levei um bolinho pequeno para cantar os parabéns. “Obrigada por trazer este bolinho que nem minha família nunca fez isso em meu aniversário”, disse ela quando estava me despedindo.



Escutar isso me deixou em silêncio. Não sabia o que lhe responder, apenas queria estar. Nesta Sexta-feira Santa em que Jesus está “ausente”, nos convida a sermos presença. Como Maria ao pé da Cruz que não pode fazer nada pelo seu Filho, ainda assim, tão somente sua presença é uma consolação para Ele. Nesta simplicidade que nada diz, há um significado muito grande para nossos amigos que estão sós.

A Igreja no sábado santo permanece junto ao sepulcro do Senhor, meditando sua paixão e sua morte. Dessa maneira, em nossa casa buscamos viver o silêncio durante o dia e refletir que estamos diante de um amor capaz de amar até o fim; estamos diante de um amor capaz de amar até a cruz. E, com esta meditação, participamos da gloriosa celebração da Vigília Pascal na noite.


Felicidade

No Domingo da Ressurreição, dia em que Cristo venceu a morte, saímos às ruas com a procissão da imagem de Cristo Ressuscitado e na tarde, realizamos uma atividade para as crianças do nosso bairro com a ajuda de muitos amigos que nos doaram ovos de páscoa, doces e brinquedos. E sabem qual era o meu sentimento ao final deste dia? Felicidade!!!! Feliz porque Cristo Ressuscitou; feliz pela minha missão; feliz por encontrar a Deus em cada amigo!



O mistério do cristianismo está em buscar a Cristo: toca-Lo, encontra-Lo, escuta-Lo. E aqui me encontrei com um Cristo que chora, que está sozinho, que é invisível, pobre, “alcoólatra”.


Sem Ele nada se pode

Em um dos nossos apostolados, visitamos um asilo de idosos onde se dedicam ao tratamento de reabilitação alcoólica de homens, fazemos uma vez na semana a Lectio Divina (leitura orante da Bíblia). Roberto e Jorge são dois senhores de quase 80 anos que participam frequentemente destas partilhas. Reconhecem que em um momento de suas vidas tomaram decisões erradas, e todos os passos que deram quando estavam longe de Deus foram ruins.

Roberto compartilha: “....aprendi durante este tempo de reabilitação a não olhar unicamente para o álcool como a razão de todos os problemas, senão que, fazer um trabalho interior de olhar para mim mesmo com outros olhos, sobretudo com a ajuda de Deus. Sem Deus não poderia estar aqui, e não teria saído disso. A base de tudo é Ele, por isso que os mandamentos dos alcoólicos anônimos cita Deus, porque é sabido que sem Ele nada se pode.” Para ele, desde dois anos que está neste asilo, foi um tempo de conhecer a si mesmo. Mas quanto mais se conhece, quanto mais se odeia porque descobre os muitos pecados que tem. Porém, “é com a ajuda de Cristo e de seu sacrifício na Cruz, a oração e o jejum, que posso mudar e me tornar uma nova pessoa; mas primeiro tenho que olhar a mim mesmo”, conclui.



Sem saber, ele me ensinou com seu testemunho a olhar para além daquilo que o pecado pode nos tornar. Sua atitude de reconhecer-se mais do que um alcoólatra, e buscar novamente sua dignidade de homem, de ser humano, de filho de Deus, é um testemunho para mim e para todos que estão ali. Isso é o mais importante na vida: reconhecer a própria dignidade. Assim, me alegro que ele esteja fazendo esta experiência.


Para Jorge, foi difícil dar o primeiro passo para sair dessa situação: “… não sei como cheguei aqui, mas só de buscar a Deus hoje, já me sinto melhor.”

A cada experiência compartilhada me leva a refletir que é preciso “amar como Ele ama, ajudar como Ele ajuda, dar como Ele dá, servir como Ele serve e permanecer com Ele todas as horas do dia” (Madre Teresa). É isto ao que somos chamados queridos amigos!


Quisera agora terminar com uma citação de Dom Giussani:

“[...] «Cristo, este é o nome que indica e define a realidade que conheci na minha vida. Ao mesmo tempo que Cristo entrou na minha vida, a minha vida entrou em Cristo [...]. Cristo é a vida da minha vida. Nele está resumido tudo o que eu gostaria, tudo o que busco, tudo o que sacrifico, tudo o que se desenvolve em mim por amor às pessoas que Ele colocou ao meu lado. [...] A maior alegria na vida do homem é sentir Jesus Cristo vivo e palpitante na carne do nosso pensamento e do nosso coração. […]”

Sigo muitíssima agradecida a cada um que participa desta missão comigo. O apoio e as orações de vocês me fortalecem dia a dia. Nunca me esquecerei de tamanha generosidade.

Que Deus vos abençoe e Nossa Senhora da Compaixão interceda por cada um.

Grande abraço!

Com muito carinho e gratidão,

Andressa

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